PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE
CAMPINAS
FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA
DEPARTAMENTO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIBLIOTECONOMIA
NORMAS TÉCNICAS: ESTUDO SOBRE A RECUPERAÇÃO
E USO
URSULA BLATTMANN
CAMPINAS - SP 1994
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE
CAMPINAS
FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA
DEPARTAMENTO DE PÓS-GRADUAÇÃO
EM BIBLIOTECONOMIA
NORMAS TÉCNICAS: ESTUDO SOBRE A RECUPERAÇÃO
E USO
URSULA BLATTMANN
Dissertação apresentada ao Departamento
de Pós-Graduação em Biblioteconomia da Pontifícia
Universidade Católica de Campinas, para obtenção do
título de Mestre em Biblioteconomia.
Orientadora : Profa. Dra- Cecília Carmen Cunha
Pontes
CAMPINAS - SP 1994
i
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS
FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA DEPARTAMENTO DE PÓS-GRADUAÇÃO
EM BIBLIOTECONOMIA
NORMAS TÉCNICAS: ESTUDO SOBRE A RECUPERAÇÃO
E USO
URSULA BLATTMANN
COMISÃO JULGADORA:
Profa Dra Cecília Carmen Cunha Pontes
Profa Dra Amélia Silveira
Prof. Dr. Silas Marques de Oliveira
CAMPINAS, FEVEREIRO DE 1994.
ii
DEDICO:
Ao meu filho, Oto, pela alegria e felicidade de cada momento.
Aos meus pais, Gertrud e Norberto, pela tolerância.
Aos meus tios Waltraud e Robert B. Marshall, pela experiência de vida.
Ao meu tio Rolf Moecke, pelo despertar a curiosidade em normas técnicas.
Aos amigos Roseli e Carlos Wisser Filho, pelo apoio recebido e principalmente
pelo fortalecimento dos laços familiares e culturais.
iii
AGRADECIMENTOS
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
- CNPq, pela ajuda financeira recebida durante parte do curso possibilitando
a realização do mesmo.
À Professora Dra. Cecília Carmen Cunha Pontes pela sua orientação,
mas principalmente pelas sugestões e paciência durante o desenrolar
desta dissertação.
À Professora Dra. Amélia Silveira pela sua aquiescência
em participar e enriquecer com seus conhecimentos a Banca Examinadora.
Ao Professor Dr. Silas Marques de Oliveira pelas sugestões efetuadas
no Exame de Qualificação que muito ajudaram na execução
desta pesquisa, e também pela sua participação na Banca
Examinadora.
À Professora Dra. Geraldina Porto Witter pela orientação
de análise estatística.
Aos professores e funcionários do Curso de Pós-Graduação
em Biblioteconomia da PUCCAMP, pelos ensinamentos transmitidos e apoio.
iv
Aos professores e funcionários do Departamento de Biblioteconomia
da UFSC, pelo incentivo e apoio.
À Marlene Kaltmaier, sua colaboração foi fundamental
para o desenvolvimento desta pesquisa.
À Sônia Carneiro Campeio (IBICT) pela atenção
e presteza no envio de material bibliográfico.
Às bibliotecárias da PUCCAMP e também da UFSC pela colaboração
na busca e recuperação do material bibliográfico utilizado.
Às bibliotecárias Dirce Maris Nunes da Silva, Gisela Eggert
e Célia Maria Camargo Campos pelas críticas e sugestões
aos questionários.
Às amigas do curso de pós-graduação Márcia,
Emma, Ruth, Maria Aparecida, Miriam, Valdete, Nirlei, Estera pela solidariedade.
Aos colegas da Empresa Compusoft, em especial ao Nestor, Paulo, Celso, Rúbia,
Benoci, Maria, Sérgio, Jairo, Leodir e Vanderci pela compreensão
e apoio.
E a tantos que direta ou indiretamente contribuíram na realização
deste trabalho.
v
SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS
iv
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ix
RESUMO
x
ABSTRACT
xi
APRESENTAÇÃO
1
Estrutura do trabalho
5
1 REVISÃO DE LITERATURA
6
1.1 Estudos de usuários
7
1.2 Normas Técnicas - histórico
12
1.2.1 Conceitos e tendências da atividade de normalização
20
1.2.2 Utilização e recuperação
de normas técnicas no centro de informações 37
1.3 Objetivos
48
1.3.1 Objetivo geral
48
1.3.2 Objetivos específicos
48
2 MEDODOLOGIA
49
2.1 Perguntas da pesquisa
49
2.2 Caracterização da pesquisa
50
2.3 Limitações da pesquisa
51
2.4 Caracterização da divisão de documentação
52
2.5 Sujeitos
56
2.5.1 Critérios para seleção da amostra
56
2.5.2 Amostra intencional
57
2.5.3 Procedimentos
59
2.6 Instrumento de coleta de dados
60
2.6.1 Incidente crítico
61
2.6.2 Questionário
62
2.7 Crítica e apuração dos dados
63
vi
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
65
3.1 Usuários de normas técnicas
66
3.2 Formas de atualização dos usuários
de normas técnicas
66
3.3 Tipos da informação das normas técnicas
71
3.4 Motivo da utilização das normas técnicas
76
3.5 Primeira fonte
80
3.6 Localização da norma técnica
83
3.7 Segunda Fonte
87
3.8 Nível de satisfação
89
3.9 Atitudes na obtenção de normas técnicas
91
3.10 Tempo de busca
92
3.11 Desistência na busca de normas técnicas
94
3.12 Barreiras idiomáticas: normas técnicas
X usuários
95
3.12.1 Idiomas das publicações das normas
técnicas
96
3.12.2 Idiomas de domínio dos usuários
99
4 CONCLUSÕES E SUGESTÕES
103
4.1 Conclusões da pesquisa
103
4.2 Conclusões
106
4.3 Sugestões
107
4.4 Recomendações
108
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
114
Apêndice A Modelo do Ofício
124
Apêndice B Normas técnicas: estudo sobre a recuperação
e uso
125
vii
LISTA DE TABELAS
TABELA 01 - Forma de atualização
dos usuários - soma dos postos
68
TABELA 02 - Forma de atualização
- número de sujeitos
69
TABELA 03 - Forma de atualização
- média ponderada
70
TABELA 04 - Prioridade dos tipos de normas
técnicas - soma dos postos
73
TABELA 05 - Prioridade dos tipos de normas
técnicas - número dos sujeitos
74
TABELA 06 - Prioridade dos tipos de normas
técnicas - média ponderada
75
TABELA 07 - Motivo do uso da informação
de normas técnicas - soma dos postos 77
TABELA 08 - Motivo do uso da informação
de normas técnicas - somas dos sujeitos 78
TABELA 09 - Motivo do uso da informação
de normas técnicas - média ponderada 79
TABELA 10 - Localização
das normas técnicas - soma dos postos
84
TABELA 11 - Localização
das normas técnicas - número de sujeitos
85
TABELA 12 - Localização
das normas técnicas - média ponderada
86
TABELA 13 - Tempo de busca na obtenção
de normas técnicas
93
TABELA 14 - Idioma das publicações
de normas técnicas - soma dos postos
97
TABELA 15 - Idioma das publicações
de normas técnicas - número de sujeitos
98
TABELA 16 - Idioma das publicações
de normas técnicas - média ponderada
98
TABELA 17 - Idioma de domínio
dos usuários - soma dos postos
99
TABELA 18 - Idioma de domínio
dos usuários - número de sujeitos
101
TABELA 19 - Idioma de domínio
dos usuários - média - ponderada
102
viii
Lista de abreviaturas e siglas
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas
AFNOR - Association Francaise de Normalisation
ANSI - The American National Standards Institute
ASME - The American Society of Mechanical Engineers
ASTM - The American Society for Testing and Materials
BSI - British Standards
CEN - Institution Comités Europeus de Normas
CONMETRO - Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e
Qualidade Industrial
COPANT - Comissão Panamericana de Normas Técnicas
DIN - Deutsches Institut fuer Normung
IEC - International Electrotechnical Commission
IHS/VSMF - Information Handling Service / Visual Search Microfilm
INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização
e Qualidade Industrial
IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São
Paulo S.A.
ISONET - International Standards Organization International Standards Organization
Network
SINMETRO - Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade
Industrial
SINORTEC - Sistema Nacional de Informação sobre Normas Técnicas
e Regulamentos Técnicos
ix
BLATTMANN, Ursula. Normas técnicas: estudo
sobre a recuperação e uso. Campinas, 1994.
128 fs. Dissertação (Mestrado em Biblioteconomia)
- Pontifícia Universidade Católica
de Campinas, São Paulo
Descritores: Normas técnicas - Estudo de uso; Normas técnicas
- Estudo de usuários; Normas técnicas - Incidente crítico;
Normas técnicas - Recuperação e acesso
RESUMO
Análise e caracterização da recuperação
e utilização de normas técnicas por usuários
das áreas da engenharia elétrica, química e mecânica.
A pesquisa identificou o comportamento dos usuários de acordo com
os seguintes aspectos: tipo de informação, localização,
tempo de busca das informações, barreiras idiomáticas
existentes, e, satisfação nos resultados da busca da informação.
Na coleta de dados utilizou-se a técnica do incidente crítico
aplicada a uma população amostrai composta de engenheiros.
Os resultados, entre outros, indicam que existe um equilíbrio na utilização
dos canais formais e informais para atualização e acesso dos
documentos. Os usuários utilizam normas técnicas geralmente
para solucionar um problema técnico. Os tipos das normas técnicas
mais utilizadas são as especificações técnicas,
seguidas dos procedimentos e métodos de ensaio. No idioma português
aparecem a maioria das normas técnicas necessitadas, seguidas pelo
idioma inglês. Questiona-se o contexto brasileiro sobre: produção,
divulgação e atendimento dos setores de normalização,
e também ao treinamento e formação de bibliotecários
e cientistas da informação referentes as normas técnicas.
x
BLATTMANN, Ursula. Technical standards: study of access and use. Campinas,
1994. 128 p. Dissertation (Master in Library Science) - Catholic University
of Campinas (São Paulo - Brazil).
Keywords: Technical standards - Users needs; Technical standards -
Users study; Technical standards - Critical Incident; Technical standards
- Access
ABSTRACT
An analysis and caracterization of the access and use of technical standards
by engineers in the electrical, chemical and mechanical fields. The search
identified the behavior of users in the following ways: kind and source of
information, time to find information, recognition of some idiomatic difficulties
in technical standards, and satisfaction with results. In the tested population
the critical incident was used for data collection. Results include the illustration
of a balance between the use of formal and informal channels of communication
to access the documents. Technical standards generally are used to find a
solution to technical problems. The kind of technical standards more frequently
used are technical specifications, technical procedures and assay methods.
Most of the technical standards needed by the users appear in the Portuguese
language, and secondly in the English language. Analysis included questions
about the Brazilian context: production, advertising, reference services
from technical standards organizations; and also professional training and
scholarships for librarians and library scientists in tecnhical standards
areas.
xi
APRESENTAÇÃO
As normas técnicas em bibliotecas, centros de documentação
e informação representam uma das formas de transferência
do "know-how" em diversificadas áreas da ciência e tecnologia.
0 desenvolvimento de normas técnicas teve seu crescimento e explosão
documentacional neste século. A normalização de atividades,
produtos e serviços vêm desde os primórdios da humanidade
facilitando a transmissão de conhecimentos utilizados no cotidiano.
"As normas são de importância vital para o processo de desenvolvimento,
uma vez que as atividades referentes ao ciclo de Pesquisa, Desenvolvimento
e Engenharia necessitam, eventualmente, ser traduzidas para linguagens das
normas para terem efeitos econômicos, e elas devem estar associadas
aos processos de produção e evoluir com eles" coloca Santos
(1982, p.28).
Pode-se dizer que a norma técnica advém de conhecimentos consolidados,
e favorece uma linguagem uniforme entre os técnicos e os profissionais
atuantes em diferentes áreas econômicas, abrangendo tanto o
setor de tecnologia básica, o setor secundário de transformação,
o setor terciário (consumidor) estendendo-se até à área
de política internacional (barreiras não tarifárias).
-1-
Desta maneira dissemina de maneira fácil e sintética, informações
de interesse, promove um intercâmbio de conhecimentos entre instituições
e países, facilita e orienta as ações no gerenciamento
das questões técnicas e econômicas que envolvem as buscas
das soluções dos problemas enfrentados. Assim, verifica-se
que quanto maior o número de normas técnicas em um país,
maior será o desenvolvimento técnico e científico alcançado,
beneficiando a sociedade no geral.
Existem diferentes tipos de normas técnicas e também diversas
instituições de normalização. Praticamente cada
país tem o seu próprio órgão de normalização,
significando uma representação do desenvolvimento científico
e tecnológico. A normalização caracteriza os países
desenvolvidos e em fase de desenvolvimento. Contudo, a norma técnica
também é vista como uma tecnologia em mutação,
isto é, sujeita a revisões quando necessário, pois é
essencialmente dinâmica. Os avanços científicos, fazem
com que as normas técnicas existentes sejam canceladas, substituídas
e revisadas além de proporcionar o surgimento de outras. Partindo
do histórico das normas técnicas e de uma visão geral
do assunto são abordados conceitos e tendências da atividade
de normalização, aspectos da normalização em
âmbito empresarial e a utilização e recuperação
de normas técnicas no centro de informação ressaltando
desta forma este tipo de documento para o cotidiano do bibliotecário.
Outra questão a ser analisada é a realidade brasileira em relação
às normas técnicas, pois a evolução industrial
- 2 -
concretizou-se através da importação de tecnologia de
origem variada e utilizando normas e padrões dos mais diferentes países.
Isto dificultou sobremaneira o controle da qualidade dos produtos, além
de contribuir efetivamente para a baixa competitividade dos produtos brasileiros
no mercado externo. Na afirmação de Neves (1990, p.220) a maioria
das empresas sediadas em território nacional, com exceção
das multinacionais, desconhecem ou não tem interesse pela normalização,
já que a aplicação de recursos no desenvolvimento tecnológico
e organizacional é visto de certo modo desnecessário, para
suprir um mercado interno sem concorrência, em virtude de barreiras
comerciais existentes, causadas pelas elevadas taxas de importações.
A colocação acima parece que está se alterando, pois,
atualmente já existe uma preocupação quanto à
melhoria de qualidade do produto industrial brasileiro. Isto ocasionou, em
1990, o surgimento do Programa Nacional de Qualidade (PNQ). Como efeito surge
na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) um
comitê específico sobre o controle da qualidade - conhecido
como Comitê Brasileiro CB - 25. Entre outros objetivos, o PNQ pretende
estabelecer uma coordenação dos principais centros de documentação
e informação sobre normas técnicas no país, através
da rede do Sistema Nacional de Informações sobre Normas Técnicas
e Regulamentos Técnicos - SINORTEC - composto pelas Instituições:
ABNT, Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade
Industrial - INMETRO - e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas
do Estado de São Paulo S.A. - IPT.
- 3 -
A simples organização desta rede não significa que realmente
está sendo usada segundo aos propósitos originais. Questiona-se
até que ponto um projeto como o SINORTEC se justifica em função
de experiências concretas das empresas brasileiras no tratamento de
recuperação e uso das normas técnicas.
Aguiar (1991, p.ll) aborda sobre os "empreendimentos industriais baseados
em tecnologias tradicionais de baixo ou médio conteúdo tecnológico
- tal como ocorre com a maioria das micro, pequenas e médias empresas
- podem se beneficiar de conhecimentos tecnológicos disponíveis
em literatura convencional e não-convencional desde que lhes seja
dado acesso a essas informações". Cita o exemplo que o "provimento,
então, de informações contidas em patentes vencidas
ou não registradas no país, normas técnicas, catálogos
de fabricantes e até mesmo em periódicos poderá contribuir
para que tais empresas adotem procedimentos que conduzam à melhoria
da qualidade e da produtividade desses empreendimentos". Completa o seu pensamento
indicando que as "informações típicas que descrevem
o estado tecnológico de uma indústria ou de um setor, entre
outros destacam-se a existência de serviços estruturados de
controle de qualidade (laboratórios, procedimentos técnicos,
documentação normativa e pessoal qualificado), grau de acessibilidade
a fontes de conhecimento técnico-científico, descrição
da tecnologia utilizada na produção e a capacidade de aperfeiçoar
e adaptar tecnologia para emprego na produção (p.13-14)". Portanto,
verifica-se a importância fundamental em divulgar e utilizar normas
técnicas nos diversos níveis empresariais.
- 4 -
Estrutura do trabalho
0 trabalho está estruturado em 4 capítulos.
0 primeiro capítulo faz a revisão da literatura sobre os estudos
de usuários e principalmente acerca de normas técnicas. Enfoca
aspectos históricos da normalização e seu contexto,
abordando a Norma Técnica como suporte de informações
técnicas num centro de informações.
0 segundo capítulo descreve a metodologia adotada na
pesquisa. Caracteriza o universo da pesquisa, critérios
de
seleção da amostra dos sujeitos, apresenta os instrumentos
de
coleta de dados e a forma da análise de dados.
No terceiro capítulo são apresentados os resultados e a discussão
do dados coletados.
No último capítulo constam as conclusões referentes
ao estudo, bem como apresenta sugestões e recomendações
para futuras pesquisas.
- 5 -
1 REVISÃO DE LITERATURA
0 presente capítulo não pretende ser exaustivo quanto a abrangência
da revisão de literatura sobre estudos de usuários, mas apresentar
uma revisão dos estudos de usuários referentes a determinada
categoria de usuários - engenheiros, efetuados no Brasil, nos quais
foram empregados a técnica do incidente crítico na coleta dos
dados. Em relação a revisão da literatura sobre normas
técnicas, esta obteve cobertura ampla quanto ao período e,
restrita quanto ao sentido da norma: vista como um tipo de documento em unidades
de informação, e não como normas de referenciação
bibliográfica ou como as de uso interno para as determinadas unidades
de informação.
- 6 -
1.1 Estudos de usuários
Sugai (1986, p.26) relaciona as três fases características dos
estudos de usuários. A primeira surge a partir da segunda metade da
década de 1940 quando começaram a ser intensificados os estudos
de usuários. A preocupação perceptível na literatura,
durante o período de estudos que se estendeu de 1948 a 1965, consistia
em tentar investigar o uso da informação pelos cientistas e
engenheiros, por serem essas as áreas onde os problemas eram mais
sentidos e cujos estudos evidenciavam uso de sistemas inadequados.
Entre 1965 a 1970, inicia-se a segunda fase, caracterizado pelos métodos
mais sofisticados de pesquisa, através da observação
indireta para analisar aspectos específicos de comportamento de usuários.
Entretanto, os estudos realizados durante este período produziram
pouco efeito, devido que o enfoque dos planejadores de sistemas de informação
concentrava-se mais no desenvolvimento e aplicação de métodos
de computação para a implantação de sistemas
ao invés de estudos de necessidades dos usuários.
A terceira fase, iniciada a partir de 1970, caracteriza-se pelo envolvimento
dos cientistas sociais em estudos de usuários de outras áreas
tais como a das Ciências Sociais e Humanidades conforme investigado
por Figueiredo (1979) . Sugai enfoca que os estudos de usuários nas
áreas da ciência e tecnologia
— 7 —
restringiram-se ao estudo de canais de informação ou à
solução de problemas específicos observados num determinado
sistema.
Segundo o levantamento realizado por Pereira e outros (1980) os estudos de
usuários realizados no Brasil começam a surgir no final da
década de 1960.
Foi Kremer (1980a) quem realizou uma revisão de estudos enfocando
o fluxo de informação entre engenheiros, analisando autores
mais conhecidos e as diversas técnicas de coletas de dados que foram
utilizados, apresentando fatores que afetam o fluxo de informação.
Dois estudos baseados em Kremer (1979) foram realizados por Andrade (1981)
e Sugai (1986). Andrade (1981) estudou as necessidades informacionais dos
técnicos da Engenharia Básica do Centro de Pesquisas da Petrobrás,
mediante pesquisa de seus hábitos na busca da informação,
através da técnica do incidente crítico. Enquanto que
Sugai (1986) baseando no questionário de Kremer (1979), analizou o
fluxo de informação através do estudo de uso e não-uso
dos canais formais e informais de informação.
A presente pesquisa tenta verificar os estudos de usuários efetuados
em relação a engenheiros, especificamente estudos onde a técnica
de coleta dos dados seja através do incidente crítico. Segundo
a recomendação de Berdie, Anderson e Niebuhr (1986) destaca-se
o estudo realizado por Kremer (1979), quando utilizado para verificar as
principais características entre usuários de
— 8 —
determinada categoria - engenheiros - utilizando a técnica do incidente
crítico.
No critério de revisar a literatura internacional em estudos de usuários
voltados para normas técnicas, que utilizaram a técnica do
incidente crítico, efetuou-se a busca bibliográfica em linha
realizada no arquivo 202 da base Dialogue "Information Science Abstracts",
referente ao período de 1963 - 1993, observou-se que através
do cruzamento dos termos não foram encontradas referências bibliográficas.
No levantamento bibliográfico manual realizado no Library & Information
Abstracts (LISA), referente ao período 1985 - 1990, verificou-se a
existência de estudos sobre sistemas de recuperação (Xilim
(1987), Mc Lelland (1988), Allot (1986), Shupak (1984), Schmidmaier (1988),
Rustamov e Alieva (1984) e Janke (1985)), serviços prestados por entidades
normalizadoras (Hyman (1988), Nagayama e Kanri (1988), Sutter (1988) e Tominaga
e Kanri (1983)) e importância das normas industriais (Ojala (1987),
Jakubicek (1987), Futsuhara e Kanri (1986) e Miller (1987)). Observou-se
, portanto nenhum estudo significativo relacionado com os termos normas técnicas
X estudo de usuários e normas técnicas X incidente crítico.
Por exemplo, o estudo de Miller (1987) enfoca aspectos sobre a necessidade
da biblioteca e não exatamente sobre a necessidade dos usuários.
Enquanto Schmidmaier (1984) salienta a importância das normas técnicas
em pesquisas, considerando como base vital
- 9 -
para treinamento de leitores no uso de normas enfocando aspectos sobre orientação
bibliográfica.
Entre as técnicas de coleta de dados para os estudos de usuários
destacam-se os levantamentos de dados sobre hábitos e preferências
de leitores, os métodos diretos e indiretos de observação,
através de aplicações de técnicas bibliométricas.
Entre as técnicas mais utilizadas estão: o questionário,
a entrevista e o incidente crítico.
Segundo Kremer (1980b) a técnica do incidente crítico consiste
num conjunto de procedimentos determinados que foram aplicados à coleta
de dados em estudos de pesquisa onde está envolvida a atividade humana.
Os dados coletados são incidentes do mundo real (isto é, não
saíram de um laboratório, não são controlados),
que foram observados e registrados por observadores treinados ou por instrumentos
registradores. Os incidentes observados devem obedecer a uma série
de critérios pré-definidos para assegurar um grau de validade
e confiança. Além disso um incidente deve ser uma amostra adequada
de comportamento para permitir inferências ou predições,
ou ambas, que devem ser feitas a respeito do indivíduo ou indivíduos
envolvidos. Para um incidente ser crítico, o objetivo ou intenção
do ato de comportamento deve ser claramente refletido para o observador pelo
contexto no qual o incidente ocorre, de forma a haver poucas dúvidas
a respeito do que vão ser as conseqüências do ato que ele
observa.
- 10 -
Lancaster, citado por Sugai (1986, p.47), define a técnica do incidente
crítico como "um conjunto de procedimentos para a coleta de observações
diretas do comportamento humano, de modo a facilitar sua utilização
potencial na solução de problemas práticos e no desenvolvimento
de amplos princípios psicológicos, delineando também
procedimentos para a coleta de incidentes observados que apresentam significação
especial e para o encontro de critérios sistematicamente definidos".
Lancaster, citado por Kremer (1980b), observa que a teoria da técnica
do incidente crítico baseia-se na facilidade das pessoas se lembrarem
do que fizeram numa determinada ocasião, ao invés de lembrarem-se
do que fazem em geral. Normalmente recordam-se mais claramente do último
incidente de um tipo particular: esse último evento torna-se o incidente
crítico.
Deve ser observado quando utilizada a técnica do incidente crítico,
ao fato de ,que esta não deve ser empregada em épocas quando
o comportamento das pessoas possa ser diferente do normal. Por exemplo, não
deve ser usada para estudar certos hábitos dos empregados de uma empresa
num período na qual esteja sofrendo grandes modificações
na sua estrutura organizacional, salienta Kremer (1980b, p.174).
Flanagan, citado por Sugai (1986, p.48), indica que a técnica do incidente
crítico é essencialmente um procedimento para reunir certos
fatos importantes relacionados com o comportamento, em situações
definidas. Expressa a importância no sentido de conseguir-se relatos
da vida real dos informantes, com
- 11 -
maior detalhe e precisão. Pelo fato das perguntas serem dirigidas
sobre um determinado incidente que ocorreu há pouco tempo, evitando
dessa forma, falhas de memória do informante. Esta técnica
pode ser aplicada junto com questionários, entrevistas e acompanhamentos
diários. Ressalta-se que um dos problemas desta técnica, assim
como pode ocorrer com outras técnicas, os informantes podem tentar
fornecer ao pesquisador ou entrevistador, respostas que eles pensam que este
deseja receber.
1.2 Normas Técnicas - histórico
Historicamente a normalização está intrinsicamente ligada
a origem da civilização, ou seja, com o desenvolvimento das
primeiras agremiações humanas, da produção e
do comércio dos artigos para uso comum, surgiu a necessidade de prescrever
regras de ação para definir padrões quanto a forma,
tamanho, quantidade (dos pesos e medidas) e o valor desses artigos.
A invenção da escrita está entre as mais extraordinárias
conquistas do homem, por ter tornado perene uma forma de comunicação.
O homem através da padronização de sinais consegue descrever
formas, figuras, sentidos, etc. para se comunicarem com os seus semelhantes.
- 12 -
Quando Gutenberg presenteou o mundo com a imprensa, não realizou isto
ao acaso, sem normalização. O exemplo é que "os tipos"
devem ser da mesma altura e permutáveis entre si para compor um conjunto
impresso. Todas as letras possuem um pequeno entalhe uniformizado para que
o tipógrafo possa, somente ao toque, sentir a letra. (WEG, 1985, p.04)
Sanders (1984, p.42) cita o exemplo que a maioria das unidades de medida,
durante a Idade Média, eram originárias do Império Romano
e foram muito distorcidas do original. No fim do século VIII, Carlos
Magno tentou estabelecer unidades de medidas e pesos uniformes em seu vasto
Império, mas não conseguiu seu intento. Entretanto, no século
XIII, todos os governantes europeus começaram, com apoio legal, a
estabelecer normas para as unidades de medição existentes em
seus territórios. Padrões de metal para pesos, medidas de comprimento
e volume foram fabricados e colocados nos depósitos oficiais, servindo
como base para fabricação de padrões secundários,
e assim promovia-se a uniformidade.
A preocupação de muitas empresas, na área econômica
: produção de bens de consumo e serviços - fez com que
através da competitividade, os produtos e serviços não
deveriam perder em qualidade, segurança e economia. No dizer de Souto
(1991, p.ll) "a qualidade não pode ser alcançada se não
puder dispor da norma adequada (...). Tudo depende da finalidade que se pretende
atingir." Portanto, numa empresa com objetivos sobre o controle da qualidade
de produtos, tanto na aquisição de produtos bem como
- 13 -
na venda, há necessidade, de verificar através de padrões
mínimos aceitação os respectivos produtos. Estes padrões
mínimos, conhecidos como normas técnicas, podem ser de diferentes
abrangências, tais como: local, ou seja, em nível de empresa,
regional, nacional, e ou internacional - atingindo parâmetros aceitos
em muitos países, proporcionado a utilização dos produtos
em diferentes níveis de aceitação.
0 reconhecimento da necessidade do preparo de normas técnicas nacionais
foi primeiramente sentido na Grã-Bretanha. Com efeito, um dos mais
antigos institutos nacionais de normalização atualmente existente
é o British Standards Institution (BSI), herdeiro do Engineering Standards
Committee, fundado em 1901.
A necessidade de registrar as atividades de normalização deu
origem a uma nova literatura, isto é, a norma técnica.
A maioria das outras associações de normalização
de países industrializados ocorreu por volta da Primeira Guerra Mundial,
enquanto que para os países em vias de desenvolvimento a data de criação
mais se aproxima da Segunda Guerra Mundial.
Aliás, convém notar coincidências freqüentes entre
nascimento de tais organismos e uma mobilização econômica
nacional, de fins militares ou civis: elas se explicam devido o crescimento
da industrialização através do mundo que trouxe consigo
um aumento do comércio provocando um número cada vez
- 14 -
maior de normas técnicas, fundamentais para a troca de produtos (Back,
1983, p.305) .
Sanders (1984, p.45) relata um fato curioso que por volta de 1965, tendo
em uso um sistema de medidas baseado em polegadas, com a metade das exportações
na Grã-Bretanha sendo embarcadas para países do sistema métrico
decimal, a necessidade de um sistema internacional único tornou-se
imprescindível. Felizmente isso foi possível partindo-se do
sistema métrico europeu, criando-se o Systeme International d'Units
(Unidades do Sistema Internacional) . E assim, finalmente, com o apoio do
Governo e de todos os setores importantes da indústria britânica,
a Grã-Bretanha decidiu mudar, e desde 1972 está a caminho da
conclusão. Os Estados Unidos tem o assunto sob ativa consideração
e podem decidir a mudança muito em breve.
Estas mudanças para sistemas internacionais de unidades básicas,
dependem da política econômica de cada país. Os níveis
de aceitação variam de acordo com os grupos. No caso das indústrias,
trocar pesos e medidas por outro sistema torna-se muito caro. Desde custos
de treinamento de funcionários até problemas da revisão
da documentação de sistemas equivalentes, colocação
e aceitação de produtos no mercado.
Na década de 1960 a normalização internacional começou
a destacar-se. Entre várias razões, Back (1983, p.310) destaca
os fatores que colaboraram:
- 15 -
- a revolução nos métodos de transportes,
contribuindo para o explosivo crescimento do comércio internacional;
- o desenvolvimento das companhias multinacionais, que tiveram suas atividades
comerciais dificultadas por normas técnicas nacionais conflitantes;
- a criação de associações de normalização
em um grande : número de países em desenvolvimento, que sentiram
a necessidade de uma sólida base internacional para o seu trabalho
nacional; e
- o reconhecimento, por outras organizações internacionais,
da necessidade de regras para questões técnicas, ou seja, houve
uma demanda de normas técnicas internacionais.
As normas específicas na indústria nos EUA, segundo Bonino
e Spring (1991, p.97), começam surgir em 1880, aparentemente devido
o crescimento da demanda por bens de consumo após a Guerra Civil.
É interessante observar, segundo Austin citado por Bonino e Spring
(1991, p.98), que a norma primitiva era considerada por engenheiros como
uma literatura verificável. A ênfase na corroboração
da evidência científica encorajou o alto valor no desenvolvimento
de normas, possibilitando a reprodução e verificação
de fatos.
Atualmente nos Estados Unidos da América, existem muitas entidades
normalizadoras (produtoras de normas técnicas), entre as quais destacam-se:
a American National Standards Institute
- 16 -
(ANSI) ; a The American Society for Testing and Materials (ASTM) fundado
em 1898; a American Welding Society; a Society of Automotive Engineers e
a American Petroleum Institute e a American Society of Mechanical Engineers
(ASME).
Montalli (1991, p.47) cita que na Alemanha, o Deutsches Institut fuer Normung
(DIN), Instituto Alemão de Normalização, cria normas
nacionais que não são obrigatórias, porém são
muito usadas pela indústria alemã devido a qualidade das mesmas.
"A The International Organization for Standardization (ISO) é composta
pelos representantes de 90 países e reconhecida como agência
internacional para normalização em vários campos '"
industriais, menos no elétrico e eletrônico, que é reservado
para o International Eletrotechnical Comission (IEC). A ISO-9000 normaliza
os padrões de qualidade dos produtos a serem vendidos no Mercado Comum
Europeu" (Montalli, 1991, p.47). A importância destas normas tão
abrangedoras, fez com que a ABNT preocupando-se com a qualidade de produtos,
empenhou-se na tradução da série ISO-9000, conhecidas
como série NBR-19000 e também NB-9000.
É importante mencionar que a ISO não edita as normas no setor
elétrico e eletrônico, mas, define os níveis de protocolos
que a IEC utiliza para o desenvolvimento das normas.
Montalli (1991, p.47) coloca que "as normas técnicas colaboram para
o incremento do comércio exterior. Os países em desenvolvimento
deveriam usar normas internacionais para tornar seus produtos mais competitivos.
As empresas montadoras teriam
- 17 -
seus problemas de fornecimento de parte de equipamentos solucionados, se
o uso das normas internacionais viesse se tornar prática no contexto
individual."
Além disso, existem outros benefícios, tais como: eliminação
de dúvidas; treinamento simplificado; eliminação de
enganos que podem demandar em altos custos; economia de tempo de engenharia;
agente de modificação na indústria; instrumento de estratégia
de mercado; é uma função da administração
e esta pode gerar e economizar dinheiro para a empresa, pois as normas: aceleram
a tomada de decisão; apresentam soluções para problemas
crónicos, e conservam o efeito dessas soluções, etc.
Back (1983, p.314) relaciona que as vantagens da normalização
são referentes a qualidade, confiabilidade, intercambialidade, disponibilidade,
redução da variedade e economia. Enquanto as desvantagens estão
nas restrições quanto ao projeto, a obsolência, aos custos
de administração e ao tempo.
Vale ressaltar a opinião de Bonino e Spring (1991, p.103) sobre todo
esforço na criação de normas, ou seja, é importante
entender o objetivo da normalização.
Cargill citado por Bonino e Spring (1991, p.104) reforça o novo conceito
de normas como uma ferramenta estratégica da corporação,
isto é, elemento decisivo no processo de tomada de decisão.
O ponto de vista de Cargill, abordado por Bonino e Spring, leva em consideração
o desenvolvimento avançado de normas
- 18 -
para perceberem os benefícios tecnológicos e económicos
que poderão ser obtidos.
Segundo o modelo proposto por Bonino e Spring, derivado de Cargill, indica
que o princípio básico no processo de normalização
que a formação de normas estratégicas antecipam o desenvolvimento
do mercado. Necessita-se ter em mente que as forças tecnológicas
ou o sucesso do mercado contribuem para o desenvolvimento de normas técnicas
possibilitando o direcionamento da amplitude dos motivos de planejadores
estratégicos, e este modelo proposto necessita de normas particulares.
Assim, Bonino e Spring (1991) classificam o novo tipo de normas como sendo
de implementação, "design" e de referência. Tendo por
características:
implementação
são muito parecidas como o desenvolvimento histórico das normas
técnicas;
"design"
direcionadas para o desenvolvimento de produtos; e
referência
têm um impacto prolongado e estão relacionadas com as políticas
de estruturação de mercados.
Segundo a colocação de Campello (1982, p.39) o desenvolvimento
de novas tecnologias é responsável pelo
- 19 -
aparecimento das normas técnicas, cuja utilização é
imprescindível nos processos de produção em massa e
na determinação do nível de qualidade dos produtos industriais
e, é nesse sentido que vale considerar as atividades de normalização.
1.2.1 Conceitos e tendências da atividade de normalização
Os benefícios das normas técnicas são percebidos não
somente guando as pessoas compram uma lâmpada que serve para determinado
bocal, ou como os números de sapatos, independentemente de seus fabricantes.
Estes benefícios de normalização não acontecem
simplesmente - eles são o resultado de entendimentos realizados pelas
partes interessadas (fabricantes e consumidores), muitas vezes reforçados
pelo uso de leis (de segurança) e de regulamentação,
e também pelo entendimento na elaboração de produtos.
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT P-TB-49,
p.9) apresenta a Norma Técnica como um "conjunto metódico e
preciso de preceitos destinado a recomendar, fixar ou estabelecer condições
para execução de cálculo, projetos, obras, serviços
ou instalações, bem como para a elaboração de
outras normas, códigos, especificações, métodos
de ensaio, padronização, regulamentos, simbologias ou terminologia
técnicas".
Para Neves (1990, p.220) a normalização significa estabelecer
e aplicar regras tendo em vista ordenar um
- 20 -
determinado domínio de atividade, buscando sempre o mais elevado grau
de tecnologia, pelo menor custo possível, levando em consideração
as condições funcionais e as exigências de segurança,
em benefício da empresa e consequentemente da sociedade.
Neves (1990, p.220) define a Norma Técnica como sendo um documento
que determina como os materiais, serviços e produtos devem ser manufaturados,
definidos, medidos e testados. São documentos que determinam conjuntos
de condições que devem ser respeitados. As normas tem surgido
sempre em operações repetitivas. São desenvolvidas como
procedimento organizado, eliminando as complicações e variedades
supérfluas, a fim de permitir uma produção e uma utilização
racional apoiada em bases técnicas. Enquanto que Amat y Noguera expressa
que "una norma es un dato de referencia que resulta de uma sección
colectiva y razonada y que servira de base acordada para solución
de problemas repetitivos" (1975, p.75).
Segundo Ollner (1981, p.24), as investigações realizadas em
empresas industriais nos Estados Unidos da América e Rússia,
mostraram uma economia média estimada, proporcionada pelo trabalho
de normalização, no valor de seis a dez vezes o investimento
nele dispendido.
0 desenvolvimento das primeiras normas demonstraram a conexão íntima
entre disciplinar a ordem no mercado e a criação de normas.
Por exemplo, existia a preocupação fundamental pelas empresas
produtoras de como os produto eram usados e
- 21 -
consequentemente a manutenção através de longas distâncias
da manufatura (indústria), no caso a padronização de
componentes e do processo eram essenciais para prestar o apoio técnico
(Bonino e Spring, 1991) .
Weiss (1991, p.116) identifica as características da estratégia
relacionada com o desenvolvimento do processo de normas:
- normas são mecanismos poderosos para a transferência
de tecnologia;
- uma norma promissora garante um mercado mais abrangente às manufaturas;
- o processo de normas é conservativo;
- normas produzem um mercado mais competetivo; e,
- a norma tende a estender o ciclo de vida dos produtos.
As normas técnicas estão estruturadas em quatro grandes níveis
de normalização, a seguir resumidas:
1. Internacional - segundo Sanders (1984, p.30) as normas internacionais
são resultantes da cooperação e acordo entre um grande
número de nações independentes, com interesses comuns.
Estas normas pressupõem uso mundial. Servem para mover o desenvolvimento
de normas, com o propósito de facilitar o intercâmbio internacional
de bens e serviços e desenvolver a
- 22 -
cooperação mútua na esfera da atividade intelectual,
científica, tecnológica e económica. Exemplos destas
normas são: ISO e IEC.
Santos (1982) recomenda à nível internacional que os países
em desenvolvimento devem participar em órgãos internacionais
dedicados à normalização industrial a fim de não
serem prejudicados pelas barreiras técnicas não tarifárias
que discriminam produtos e os tiram da competitividade no mercado internacional.
2. Regional - são normas introduzidas por
um limitado grupo de nações independentes, ou por uma associação
regional de
normas, para benifício mútuo. Neste caso, são as normas
da COPANT e CEN (Comités Europeus de Normas).
3. Nacional - são normas "editadas após
verificação do consenso de todos os interessados em um país,
por uma organização nacional de normas, que seja reconhecida
como autoridade no respectivo assunto " coloca Sanders (1984, p.30). Neste
caso são as normas da ABNT, DIN, etc.
Um país de economia desenvolvida tem sua tecnologia própria
e, por conseguinte, suas próprias normas. Quando exporta seus produtos,
exporta também suas normas, que foram incorporadas na fabricação.
Se o importador quiser complementar estes produtos ou substituir peças,
deve necessariamente especificar de acordo com as normas do país produtor.
Os países neste estágio, segundo Back (1983, p.304), têm
um elenco de normas nacionais muito desenvolvido, abrangendo quase todos
os setores de atividade.
- 23 -
Verifica-se portanto que as economias em desenvolvimento possuem um setor
industrial em formação, à base de tecnologia importada
mesclada a tecnologia própria ou já incorporada. Além
disso, as suas matérias-primas, na maioria dos casos, estão
sujeitas a normas internacionais ou a normas nacionais dos países
compradores. Estes países possuem um número restrito de normas
nacionais próprias, às vezes copiadas das normas estrangeiras
que se adaptem a seus interesses, não perfeitamente definidos. Back
(1983, p.304) coloca que uma das consequências deste fato é
a coexistência, no campo da produção de bens e serviços,
de normas técnicas das mais diversas procedências: cada indústria,
tecnologia ou equipamento importado traz no seu bojo as normas do país
de origem, ocupando o vazio da normalização nacional e, muitas
vezes, funcionando como barreiras protecionista de sua produção.
O consumidor divide assim com o produtor os ónus e o custo da falha
de uma normalização nacional única.
As normas técnicas nacionais, segundo Veado (1985, p.3) são
documentos . . . "que refletem a consolidação de uma tecnologia,
nelas podem encontrar-se a definição dos parâmetros de
um produto, sua provável padronização e os métodos
para sua certificação".
4. Empresa - segundo definição dada por NEVES (1990,
p.221) as normas de empresa têm caráter restrito à empresa
e fundamentalmente a uma redução de custos, através
da redução de variedades, padronizações, racionalização
de tarefas e processos,
- 24 -
contudo representa um elo intermediário com a normalização
á outros níveis.
A experiência obtida na empresa deve ficar devidamente registrada a
fim de facilitar a sua utilização por todas as pessoas interessadas.
Caso contrário, tal experiência ficará limitada a um
pequeno número de pessoas. Isto é de especial importância
para um país como o nosso em fase de desenvolvimento, em que a rotatividade
dos empregados , é alta e onde é de máxima importância
a retenção do "know-how" (tecnologia) da empresa.
Completando o pensamento acima, Back (1983, p.303) enfatiza que as empresas
de um modo geral, independentemente do fato de serem pequenas ou grandes,
devem produzir de acordo com normas e, preferencialmente, devem ter organização,
ainda que rudimentar, para prepará-las e mantê-las permanentemente
atualizadas.
Pacheco (1991, p.26) destaca os principais problemas enfrentados pelas empresas
de pequeno e médio porte visando ao seu desenvolvimento tecnológico.
Constatando-se também a falta de padronização e normalização
de matérias-primas, componentes e produto final; a falta de controle
de qualidade de produtos e processos; falta de conhecimento de empresas ou
instituições que ofereçam serviços de informação
e laboratoriais; e, dificuldade de adaptação tecnológica
de seus produto às condições regionais.
A crescente necessidade de informação sobre normas e a importância
de compartilhar experiência e sistemas de desenvolvimento eficientes
para o manuseio da informação
- 25 -
motivaram a criação, em 1969, de um Comité para manter
informado o Conselho da ISO sobre tais assuntos. (Pedroso, 1985, p.02). Este
comité encontra-se localizado na sede da ISO, em Genebra -Suiça
.
Devido esta necessidade começa a surgir a rede de informações
da ISO - ISONET. Com a colaboração da UNESCO oferecendo suporte
para o estudo de praticabilidade em 1975, e no ano seguinte fica estabelecido
o ISONET, sendo um acordo entre órgãos de normalização
para combinar seus esforços de modo a tornar disponíveis as
informações sobre normas, regulamentos técnicos e assuntos
relacionados, quando solicitados.
Segundo Pedroso (1985, p.07) "em cada país existe um membro ISONET,
usualmente um membro ISO com amplo conhecimento de normalização
e atividades regulares no país concernente. ISONET compreende uma
rede de centros de informação de normas nacionais e sua ligação
entre eles". Pedroso complementa que em maio de 1984, o INMETRO, a ABNT e
a Secretaria de Tecnologia e Informática - STI , assinaram um protocolo
de intenções, no qual ficou definido que o INMETRO seria o
membro nacional brasileiro para o ISONET e a ABNT membro associado nacional
desta rede.
Devido a grande extensão do Brasil e, visando facilitar o atendimento
aos usuários nacionais, o Sistema Nacional de Informações
sobre Normas e Regulamentos Técnicos - SINORTEC - foi desenvolvido
a nível de Rede, formado por Núcleos Básicos de Informação
em normas técnicas (INMETRO, ABNT E IPT), Regionais (IPT/SCT) e Setoriais.
- 26 -
O SINORTEC destina-se a difundir o conhecimento científico e tecnológico
dos documentos normativos e servir de interface a sistemas similares a nível
internacional.
No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas
surgiu em 194 0. Back (1983, p.3 04) explica que a ABNT "como entidade nacional
de normalização e com a adequada utilização dos
recursos humanos disponíveis, procurou ao longo dos anos enfrentar
o problema das diversas opções para absorção
da tecnologia importada, através da unificação das várias
fontes existentes no país".
As normas brasileiras, segundo a ABNT NBR 6822/1982, em suas prescrições
visam obter: defesa dos interesses nacionais; racionalização
na fabricação ou produção e na troca de bens
e serviços, através de operações sistemáticas
e repetitivas; proteção dos interesses dos consumidores; segurança
de pessoas e bens; e uniformidade dos meios de expressão e comunicação.
Um exemplo referente a proteção dos interesses dos consumidores
ocorre através da qualidade adequada de bens e serviços existentes.
Uma tentativa que está sendo colocada em prática é o
Código de Defesa do Consumidor, onde o consumidor tem importante participação
na qualidade do bem ou serviço recebidos. Pela Lei n° 8.078, de
11 de setembro de 1990 - no artigo 39 item VIII, onde "é vedado ao
fornecedor de produtos ou serviços (...) colocar no mercado de consumo,
qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos
órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas
não existirem, pela ABNT ou
- 27 -
outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização
e Qualidade Industrial - CONMETRO".
Os autores Back (1983, p.309) e Pedroso (1985, p.49) demonstram que a ação
da ABNT no campo internacional se fez sentir desde os primeiros anos de sua
criação. A ABNT participou da Assembleia Geral, em 1946, realizada
em Londres, na qual foi decidida a fundação da Organização
Internacional de Normalização - ISO ; desde então a
ABNT colabora com esta entidade.
Quanto a ligação da ABNT à Comissão Elétrica
Internacional -IEC, é desde 1910, quando então o Comité
Brasileiro de Eletricidade - COBEI participava.
A ABNT está afiliada a Comissão Pan-Americana de Normas Técnicas
- COPANT desde 1947 quando fundada no Brasil. A COPANT tem como objetivo
elaborar e aprovar normas regionais visando a impulsionar as transações
comerciais entre os países americanos.
Quanto a difícil aceitação ou até imposição
de normas técnicas no mercado brasileiro, a ABNT consegue o seu espaço,
recebendo o apoio do Governo Federal, através da Lei n. 4.150 de 21
de novembro de 1962.
Em 1971 a política de tecnologia industrial tinha, como um dos principais
objetivos, a melhoria da qualidade de produção destinada a
exportação, que implicava, por sua vez, em garantir o suprimento
da tecnologia utilizada no processo produtivo, com ênfase no fortalecimento
da capacidade nacional de decisão no setor industrial. (PADCT, 1984,
p.95). Daí, a decisão de adotar,
- 28 -
em 1971, um amplo programa de expansão e modernização
das estruturas, laboratórios e formação de pessoal especializado.
Para a implantação do programa foi realizado um estudo global
que deveria examinar os aspectos técnicos, económicos, financeiros
e institucionais de um Sistema Nacional de Metrologia, adequado â conjuntura
nacional, denominado de Projeto de Implantação do Laboratório
Nacional de Metrologia (PADCT, 1984, p.95).
Algumas das vantagens apresentadas no documento do PADCT -Subprograma de
Tecnologia Industrial Básica (1984, p.89) são:
- os prejuízos decorrentes do deficiente emprego da infra-estrutura
em tecnologia industrial básica, principalmente em normalização
e qualidade industrial, são estimados em 10 bilhões de dólares
(1983), representando cerca de 15% do produto industrial, que somava US$
65,1 bilhões no ano de 1984;
- a normalização de fios e condutores elétricos,
tanto via metrificação como pelas normas dos materiais
isolantes,
possibilita uma economia de até 20% da importação
brasileira de cobre; e;
- assim, na medida em que se padronizam produtos pela normalização,
é possível obter-se expressiva redução de estoques
(matérias-primas e produtos acabados não vendidos), e, consequentemente
minimizar o capital de giro respectivo. Da mesma forma, através do
controle de
- 29 -
qualidade reduz-se os rejeitos da produção e por
consequência os custos de produção.
Reconhecendo a necessidade de consolidar os esforços até então
feitos visando desenvolvimento nesta área específica, o Governo
instituiu no país o Sistema Nacional de Metrologia, Normalização
e Qualidade Industrial - SINMETRO , pela Lei 5.966 de 11 de dezembro de 1973,
tendo como finalidade de formar e executar a política nacional de
metrologia, normalização industrial e certificação
de qualidade de produtos industriais, sendo integrado por entidades públicas
ou privadas que exerçam atividades relacionadas com metrologia, normalização
industrial e certificação de qualidade de produtos industriais.
(NBR 6822 mar. 1982)
Esse Sistema - SINMETRO, coloca Back (1983, p.305), tem como órgão
normativo e supervisor o Conselho Nacional de Metrologia, Normalização
e Qualidade Industrial - CONMETRO , e como órgão executivo
o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade
Industrial - INMETRO .
0 INMETRO é o Fórum GOVERNO e tem a atribuição
de classificar e ou registrar as Normas Brasileiras conhecidas pela sigla
de NBR, distribuídas em: normas compulsórias (NBR1), normas
referendadas (NBR2), normas registradas (NBR1), normas probatórias
(NBR4).
Enquanto a ABNT é o Fórum NACIONAL e tem atribuição
de elaborar e revisar as normas técnicas, através de um consenso
- 30 -
nacional, com a participação de representantes de: Órgãos
Governamentais; Empresas Públicas e Privadas; Laboratórios
Nacionais; Universidades; Associações de classe, etc. Portanto,
verifica-se a necessidade de colaboração e principalmente de
participação de toda sociedade revertendo em benefícios
gerais para a nação.
Uma norma passa por uma série de etapas na elaboração
até a implantação. No decorrer dos trabalhos na ABNT,
as comissões de estudos baseiam-se num texto-base (valendo como anteprojeto),
Projeto de Norma e/ou a Norma propriamente dita.
A comissão de estudo considera como texto-base as normas internacionais,
as normas nacionais e estrangeiras (em diversos
níveis e países) e os estudos originários do Brasil.
Esse texto base é traduzido ou trabalhado por um ou mais de seus membros
e, depois de estudado e discutido por todos os membros em reuniões
programadas, é transformado em Projeto de Norma. Este é reproduzido
e sua divulgação é feita por meio de circular enviada
a todos os sócios da ABNT para apresentarem sugestões pelo
prazo de três meses. Depois de aceitas ou não as sugestões
propostas, o Projeto é revisado pela Comissão para ser transformado
em Norma que só entrará em vigor depois de votada pelos sócios
e após sessenta dias de sua publicação. 0 prazo máximo
para elaboração de uma norma a partir do texto-base é
de dois anos, prorrogável em casos excepcionais e não deve
permanecer mais de cinco anos sem revisão (Dória, 1976).
- 31 -
O resultado são inúmeros documentos existentes na edição
de normas técnicas. Uma norma possui, portanto, uma série de
revisões ficando díficil de obte-las. Relembrando que as normas
estão no desenvolvimento de projetos, produtos e serviços que
num determinado momento poderão ser solicitadas para a verificação,
inspeção ou adequação. E neste momento que a
agilidade, a qualidade do acervo (coleção) e o serviço
existente num centro de informação é de fundamental
importância.
Dixon Jr. citado por Bonino e Spring (1991, p.97) menciona que raramente
são fornecidas a origem, criação, valor e a utilidade
de normas. Este fato torna-se numa dificuldade em recuperar determinada norma,
principalmente no caso da ABNT, onde as normas nacionais sofrem alterações
(revisões) e mudam de codificação com uma frequência
absurda, dificultando ainda mais a recuperação e utilização
das normas. A própria ABNT deveria padronizar mais a normalização
interna, demonstranto maior senso em relação a codificação,
considerando que o exemplo neste caso é fundamental para estimular
a normalização em diversos níveis empresariais.
A elaboração das normas, pela ABNT, é feita de acordo
com um documento-guia, designado NBR-6822 de março de 1982 e também
pela NB 0 de agosto de 1990, fontes indispensáveis para o profissional
que trabalha com normas técnicas (ou com a normalização).
Nestas normas são apresentadas os tipos, a estrutura e a apresentação
redacional das normas técnicas brasileiras.
- 32 -
A atual estrutura da ABNT possui cerca de 4,5 mil sócios, entre empresas
e pessoas físicas e mantém 25 comités técnicos
responsáveis pelo trabalho de análise e preparação
de normas para os diferentes segmentos de atividade. São aproximadamente
800 comissões que estão trabalhando com o objetivo de elaborar
as -normas técnicas necessárias para atender aos diversos programas,
entre eles, o Programa de Competividade Brasileiro.
A ABNT conta com cerca de 8.500 normas técnicas. Mesmo assim o número
de normas técnicas brasileiras realizadas pela ABNT é muito
pouco em relação á outros países como Japão,
Estados Unidos e ou Inglaterra. A falta de normas reflete de um lado, o baixo
nível de exigência do consumidor brasileiro, que se preocupa
muito mais com o preço que com a qualidade do produto. Por outo lado,
mostra um fabricante acomodado, pois além de ter um consumidor não
acostumado a reclamar, possuia um mercado altamente protegido. A situação
tende a modificar pelo novo Código de Defesa do Consumidor e também
pela política de abertura do mercado para importações
que devem servir como instrumentos para impulsionar o processo de normalização.
Isto significa que a normalização esta presente desde a adequação,
controle da qualidade até a aceitação dos produtos.
Segundo o Boletim do 2° Congresso Internacional de Normalização
e Qualidade (1991, p.01) a quantidade reduzida de normas técnicas
no Brasil acarreta grande número de produtos com defeitos e volume
acentuado de desperdícios. Os números são assustadores,
entre os quais destacam-se que a média brasileira
- 33 -
de defeitos é de 25.788 por milhão, enquanto o padrão
internacional é de 200 defeitos por milhão. De acordo com as
informações do Ministério da Economia e da Secretaria
de Ciência e Tecnologia, o Brasil chega a desperdiçar US $ 40
bilhões por ano com produtos defeituosos ou fora de especificação,
com a má utilização dos equipamentos das empresas, com
o desperdiço na fabricação e com serviços de
pouca qualidade. Resultando uma perda de 5% a 3 0% de produção
nos diversos setores da economia, devido à falta de padronização
na produção e no atendimento ao consumidor.
Pelo exposto, a situação brasileira ainda encontra-se em estágio
de país em desenvolvimento, devido a grave falta da normalização
de bens, produtos e serviços. Assim a sociedade brasileira continuará
em defazagem até que novos rumos sejam traçados. Vale salientar
que quando uma norma é convenientemente elaborada, isto é,
com o envolvimento da sociedade, dos órgãos produtores, as
entidades de classes, ela constitui o melhor meio de integrar as fontes de
tecnologia existentes e orientá-las com o interesse nacional.
Após o preparo e a promulgação de normas nacionais,
recomenda-se encorajar o seu uso. A aplicação das normas pela
indústria com a resultante simplificação e economia
tecnológica, sem contar com a transferência de tecnologia que
é feita através da informação codificada oferecida
pelas normas que inevitavelmente fortalece a economia global. Back (1983,
p.306) conclui que deva existir um órgão único de normalização,
para
- 34 -
reunir e fornecer os meios para realizá-la o mais rápido, da
melhor forma e o mais económico possível.
Segundo Santos (1982, p.28), a nível nacional as normas são
importantes para a gestão da produção industrial e da
alocação de recursos nacionais no sentido que contribuem para
o aumento da produtividade e asseguram a eficiência económica.
Referente aos aspectos da normalização em âmbito empresarial,
Back (1983, p.303) apresenta alguns princípios acerca da elaboração,
controle e atualização, dos quais destacam-se: o registro apropriado
das normas empresariais, acesso ao registro acessível às principais
seções da empresa; designar um responsável para manter
as normas atualizadas (revisão, edição e controle),
e, distribuir cópias de normas aos departamentos interessados.
Enquanto que Souto (1991, p.17) apresenta os requisitos do chefe de um órgão
de normalização, entre os quais se destacam:
- conhecimento de um ou mais idiomas, além da língua
materna, sugere entre eles: inglês, francês, alemão, russo
e/ou espanhol;
- conhecimento e, se possível, experiência nos trabalhos de
estudo que a empresa desenvolve;
- bom conhecimento quanto aos produtos produzidos pela empresa;
.
- 35
- cultura técnica económica para equacionar os
vários problemas que enfrentará;
- espírito claro e metódico, a fim de ser capaz de efetuar
convenientemente a análise e proceder a síntese dos assuntos
que lhe serão submetidos; e,
- ter apoio da Direção Geral, sem o que dificilmente os resultados
esperados serão satisfeitos.
Verifica-se que os requisitos mencionados por Souto não determinam
claramente de qual categoria de profissional deva ser o respectivo chefe.
No contexto brasileiro, tudo depende da empresa (tamanho e objetivos) e do
profissional a ser contratado, geralmente são engenheiros relacionados
com as áreas de desenvolvimento e produção. Em grandes
empresas observa-se a existência de uma equipe, com profissionais de
diferentes áreas: engenheiros, bibliotecários, documentalistas,
projetistas, digitadores, etc. Observando que cada profissional colabora
com os requisitos existentes de sua área.
Através da informação organizada, elaborada e estruturada,
o homem adquire mais poderes e diminui o tempo na tomada de decisão.
Portanto, a informação tecnológica, existente nas normas
técnicas deve ser: relevante, exata, precisa, significante, atualizada,
no formato apropriado, disponível quando solicitada e obtenível
a um preço justo. Assim, verifica-se a importância da utilização
e a recuperação de normas técnicas num centro de informações.
- 36 -
1.2.2 Utilização e recuperação de normas
técnicas no centro de informações
Segundo a estrutura da instituição e principalmente as áreas
de sua atuação implicará no tamanho, necessidade, tratamento,
disseminação e uso da coleção de normas técnicas
no centro de documentação da instituição.
Um serviço de informação sobre normas técnicas,
conforme exposto por Ricci (1990, p.05), tem como propósitos :
-adquirir e desenvolver uma coleção utilizável;
- obter documentos sobre normas técnicas conforme as solicitações;
- promover serviços de referência (rede e ou sistemas "on-line"
e serviços de traduções);
- manter a coleção (arranjo físico, ordem alfabética,
idiomas, localização, circulação, manual de procedimentos,
etc.);
- documentar e catalogar (sistemas manuais ou automatizados); e,
- estimular o uso de normas técnicas em todas as possíveis
aplicações .
Segundo Santos (1982, p.29) existem dois níveis de necessidades de
informação sobre normas técnicas sendo o primeiro
- 37 -
a divulgação e outro referente ao tratamento e recuperação
bibliográfica.
No primeiro caso, a divulgação de normas técnicas, Santos
indica que os países em desenvolvimento precisam entender o papel
da normalização no desenvolvimento da nação.
Sugere um serviço de informação (divulgação)
e relações públicas que esclareça ao público
em geral e conscientize as empresas sobre a importância e as vantagens
das normas no desenvolvimento.
Em níveis universitários, Musser (1990, p.60) salienta que
a educação sobre normas técnicas está ocorrendo
também no mundo académico, geralmente na área de engenharia
através de: pesquisas e participação no desenvolvimento
de normas e normalização, adição de leituras
e seminários, expansão de programas de educação
continuada, desenvolvimento de cursos específicos sobre normas em
nível universitário. Portanto, uma biblioteca universitária
deve reconhecer a necessidade de normas técnicas em sua coleção
e também providenciar acesso à literatura de normas técnicas.
No sentido de tratamento e recuperação bibliográfica
a necessidade de informação é muito grande tanto para
o conhecimento da existência quanto do conteúdo das normas,
para aqueles diretamente interessados na elaboração bem como
no uso das mesmas. Esta afirmativa pode ser ilustrada com o exemplo citado
por Piety e McCormick, onde a Biblioteca Pública de Cleveland (EUA)
começou a organização do acervo, em primeiro lugar para
atender a produção da indústria local, e com os anos
- 38 -
tornou-se um importante centro de referência, considerada um depósito
federal das especificações e normas técnicas federais.
Devido ser impossível - recursos financeiros para aquisição
e espaço físico para armazenamento - colecionar todas as normas
numa determinada área, o acesso foi facilitado pela aquisição
de catálogos das entidades normalizadoras.
0 fato da maioria dos países terem centros normativos e empresas (fabricantes,
consumidores, órgãos governamentais, etc.) necessitarem de
normas, isto reflete na acumulação de um tipo de material bibliográfico
específico, que precisa também de um tratamento técnico
adequado para a organização e disseminação do
mesmo.
Campello (1982, p.41) apresenta que ao contrário de livros e periódicos,
que praticamente não apresentam problemas para a atividade do bibliotecário,
os materiais não-convencionais exigem atenção constante,
já que todo o trabalho a ser desenvolvido com eles é complexo
e apresenta uma série de problemas, que vão desde o saber de
sua existência, o arquivamento, passando pelo processo de aquisição,
registro e processamento técnico.
0 profissional da informação precisa saber onde estão
localizadas ou onde possam localizar normas técnicas. Amat y Nogueira
(1975, p.79) menciona que as fontes de localização das normas
técnicas variam, desde: catálogos e índices de normas
estabelecidas; listas periódicas de normas classificadas, boletins
oficiais publicados pelos organismos de normalização (contém
informações sobre novas normas e normas revisadas,
- 39 -
projetos de normas, modificações, normas canceladas e novos
materiais normalizados); nas listas de aquisições de bibliotecas;
nas revisões e listas publicadas em revistas científicas e
técnicas, boletins de resumos e outras fontes bibliográficas;
e principalmente os informes anuais dos órgãos de normalização
que contém listas de normas preparadas num período de estudo,
assim como na correspondência com as organizações que
se interessam por questões análogas do mesmo país bem
como no exterior.
Dedding & Tanaka (1991, p.69) mencionam que desde 1938 o Setor de Informação
sobre Normas Técnicas (INTEC) do IPT vem prestando serviço
de informação na área de normas técnicas à
indústria e engenharia nacional, cuja demanda por informação
nessa área cresce a cada ano. Acrescentam ainda que o INTEC possui
um acervo de mais de 800.000 documentos normativos, entre normas vigentes,
históricas e duplicatas, de natureza industrial e ou governamental
e de origem nacional, nacional-estrangeira e internacional. Portanto é
considerado como um dos maiores e mais completos acervos da América
Latina.
O acesso às normas técnicas das coleções do IPT,
conforme o boletim do SINORTEC (1986, p.3), "dá-se através
de catálogos, em papel e em microfilme, elaborados pelo Information
Handling Service (IHS) que constitui uma "base de dados" em normas técnicas
industriais americanas, estrangeiras-nacionais, e internacionais, com as
seguintes possibilidades de entrada: número e / ou título e
/ ou assunto da norma".
- 40 -
O Worldwide Standards Service (WSS), publicado pelo Information Handling
Service, edita um catálogo que relaciona normas técnicas de
54 entidades americanas e 16 outras entidades de países europeus e
do Japão. Esse serviço pode ser consultado também em
Compact-disk Read-only Memory (CD-ROM) ou "on-line" (Mendonça, Veiga,
1991, p.785).
Belfrage (1990, p.89) cita outros serviços sobre normas existentes
no formato eletrônico, entre os quais destacam-se DIALOG Information
Services - possibilita sob arquivo 92 (File 92), a pesquisa sobre normas
técnicas com obtenção muito difícil, tais como
as japonesas, alemãs, britânicas, francesas, canadenses, australianas
e da Arábia Saudita. A pesquisa poderá ser realizada por assunto,
número do documento ou pelo código L0CATOR.
Ricci (1990, p.32) menciona as bases de dados multinacionais mais importantes
na área de normas técnicas: CELEX - EEC European Economic Community,
FOREGE - Food Regulations Enquiries e ÍCONE - normas da ISO e IEC
série 28000.
Campello (1982, p.46) coloca que uma seleção bem feita vai
exigir que o bibliotecário esteja constantemente informado sobre as
atividades das instituições normalizadoras, através
de suas publicações (revistas, boletins, folhetos, etc.) .
Até saber que tipo de norma técnica adquirir, se uma nacional,
nacional-estrangeira ou internacional. '
- 41
É importante que o responsável pela coleção da
biblioteca técnica conheça bem os diversos tipos de materiais
que formam a literatura tecnológica e compreenda que cada um tem determinada
função e se presta a determinada finalidade (Campello, 1982,
p.41) .
Uma introdução para os profissionais da informação
que necessitam trabalhar com normas técnicas é abordada claramente
pelos autores Walt Crawford em sua obra Technical standards: an introduction
for librarians, e Franklin C. R. Souto com a publicação Uma
visão da normalização. Na revista Science & Technology
Libraries volume 10 número 3, podem ser encontrados esclarecimentos
sobre os diferentes aspectos no desenvolvimento de coleções,
acesso aos sistemas, treinamento de pessoal envolvido com normas técnicas.
Para o desenvolvimento da coleção, observa-se que Ricci (1990,
p.7) questiona pontos importantes sobre:
- Que normas técnicas serão adquiridas?
- Como devem ser mantidas as atualizações?
- Que formato deverá ser usado?
- De quem serão adquiridas?
Segundo Musser (1990, p.61), o primeiro passo para o desenvolvimento de uma
coleção de normas - em nível de biblioteca universitária
- é determinar a nível da coleção quem irá
prover os recursos financeiros. Devido os preços de normas serem altos.
- 42 -
Observa também que geralmente as normas não são instrumentos
de pesquisa, individuais, ou seja, requerem outras normas ou partes de conjuntos
de normas.
As necessidades dos usuários da organização determina
quais normas técnicas deverão ser adquiridas, conforme mencionado
por Ricci (1990, p.7). As normas podem ser solicitadas pelos usuários
pessoalmente, por telefone, telefax, correio eletrônico, ou pelo empréstimo
inter-bibliotecário. As normas técnicas podem ser recuperadas
pela entidade normalizadora, assunto, número, Comité responsável,
descritores e ainda pelo idioma impresso.
Outra questão a ser observada é quanto ao tipo do formato em
que as normas técnicas podem aparecer. Geralmente são publicadas
pelas entidades normalizadoras em papel (formato A-4, folhas soltas, ou formato
A-5 coletâneas tipo livro), microfilmes, cartão-janela, e CD-ROM.
Ricci (1990, p.10) indica que para coleções completas e extensas,
o microfilme é um método eficiente para o armazenamento. Mas,
observa que o tamanho da coleção completa deve ser levado em
consideração a quantia de espaço e recursos financeiros
disponíveis. Isto determinará o formato a ser adquirido. Cita
por exemplo, que a opção pela microfilme requer um armazenamento
especial, equipamento para leitura e realização de cópias,
mas reduz substancialmente o tamanho do espaço para armazenagem. No
caso de uma coleção completa não ser necessária,
a opção por cópias em papel provavelmente será
a escolha adequada.
- 43 -
Existem dificuldades para recuperar as informações e os documentos,
por exemplo, referentes as questões do custo dos documentos, acesso
a serviços informacionais e profissionais capacitados. Reforçando
esta idéia, observa Vergueiro (1989, p.30) relatando que em Bibliotecas
Especializadas ou de Empresas a presença de materiais não-convencionais
- relatórios, patentes, normas, "pré-prints", etc. - exigem
dos bibliotecários "um enorme esforço para localização
e obtenção dos itens desejados".
Musser (1990) recomenda a utilização de catálogos das
entidades normalizadoras e também os catálogos de Associações
ou
Grupos de Bibliotecas. Ressalta os cuidados que se deve tomar para acessar
o material - no momento da catalogação -, pois existe um grande
número de normas técnicas colocadas em manuais e outros textos
impressos. Nestes casos é difícil a identificação
e 'a localização, entretanto são importantes ao usuário
final.
É essencial ressaltar ainda a cooperação com bibliotecas
congêneres, pois normas técnicas são publicações
dinâmicas e na maioria das vezes solicitadas com urgência, o
que obriga o bibliotecário lançar mão de esquemas cooperativos.
(Campello, 1982, p.46) Musser (1990, p.64) também recomenda para acessar
normas técnicas de coleção, Musser também recomenda
o empréstimo interbibliotecário. Sugere como política
na elaboração do acervo outros recursos bibliográficos
como ferramentas sobre normas técnicas: indíces, catálogos
e documentos das entidades normalizadoras, listas e catálogos de bibliotecas
e associações,
- 44 -
bases de dados de produtos, relação de postos de vendas, menciona
como recursos educacionais as bibliografias sobre normas técnicas.
A manutenção da coleção requer a adoção
de políticas sobre os aspectos: espaço físico, aquisição,
seleção, arranjo (alfanumérico), descarte, atualização,
circulação (empréstimo interbibliotecario), problemas
referentes a barreira idiomática e dos procedimentos de rotina a serem
adotados.
Através de listas de "check-in" pode-se orientar os procedimentos
que deverão ser utilizados nos documentos a serem processados. Estas
listas fornecem um panorama daquilo que precisa ser realizado e do que já
foi feito. Facilitando desta maneira o trabalho da equipe.
0 IPT executa o seguinte tratamento ao arquivamento das normas técnicas:
são arquivadas, em ordem numérica, por entidade de normalização,
sendo seu registro feito nos catálogos das próprias entidades,
complementada por fichário de assunto. As alterações,
correções e complementaçoes fornecidas pelas entidades
de normalização, acham-se anotadas nas respectivas normas,
visando sua atualização.
0 centro de documentação em trabalho conjunto com o órgão
de normalização, portanto, deve:
- estar sempre informado com relação aos órgãos
de normalização nacionais, regionais e internacionais, além
de participar e acompanhar as atividades externas, de
- 45 -
acordo com os assuntos abordados e as metas estabelecidas pela
empresa;
- tomar iniciativa e incentivar a elaboração de novas normas
e revisão das já editadas, de acordo com novos conceitos, previamente
analisados e testados, observando sua adequação física
e econômica na empresa;
- elaborar listagens de materiais existentes na empresa, no âmbito
global, limitando quando possível, a duplicação dos
mesmos, nos departamentos de projetos e manutenção da empresa;
- criar um arquivo técnico, de normas técnicas, revistas, catálogos,
periódicos, etc, indexado, adequado a implantação do
serviço e normalização e gradualmente projetar para
um determinado período de tempo o mesmo. Este período limita-se
a projeção do desenvolvimento da empresa.
0 acesso a normas técnicas é vital se for levado em consideração
a educação referentes das mesmas. Cabe salientar a colocação
de Musser (1990, p.64) onde expressa que a coleção de normas
técnicas é um dos primeiros passos a serem tomados para aumentar
a familiaridade e participação no uso e no processo da normalização.
Verifica-se pelo exposto que o profissional da informação que
trabalha com normas técnicas, requer um treinamento especial sobre
as questões da normalização; conhecer as diferentes
- 46 -
possibilidades de aquisição, tratamento técnico e disseminação;
necessidade de atualização do acervo para poder oferecer o
suporte referencial aos usuários.
A qualificação do pessoal auxiliar que trabalha com normas
técnicas, recomendado por Ricci (1990, p.22), indica que não
é absolutamente necessário um conhecimento familiar de normas
técnicas se o profissional selecionado possui qualidades de criatividade
e conhecimentos gerais básicos. Sendo as atividades básicas
do profissional alocado num centro de informação é manter
a ordem da coleção, ordenar o processo e realizar fotocópias.
Um dos fatores mencionados por Piety e McCormick (1990, p.44) referentes
ao "stress" do pessoal técnico que trabalham com normas técnicas
são: como identificar uma norma e como lê-la. Ressaltam que
a experiência é a melhor forma de aprendizagem.
Cabe aqui colocar o pensamento sucinto de Souza (1992, p.2) onde apresenta
que embora o bibliotecário não tenha condições
de responder todas as questões, ele deve saber a quem e para onde
encaminhar o usuário para a obtenção de uma resposta.
- 47 -
1.3 Objetivos
1.3.1 Objetivo geral
Identificar o comportamento dos usuários de normas técnicas
segundo: tipo de informação, localização, tempo
e satisfação de busca e barreiras idiomáticas referentes
as normas técnicas.
1.3.2 Objetivos específicos
Os objetivos específicos da pesquisa são:
a) identificar, descrever e caracterizar o
ambiente da unidade de informação;
b) caracterizar os usuários de normas técnicas;
c) levantar e analisar os dados da demanda de normas técnicas
na unidade de informação, através:
- determinar a busca e utilização de normas
técnicas e,
- detectar as dificuldades existentes, como por exemplo,
barreiras idiomáticas e fatores de desistência da busca.
- 48
2 METODOLOGIA
Para a consecução dos objetivos propostos neste estudo e com
base na fundamentação teórico-empírica, estabeleceram-se
perguntas da pesquisa, caracterização e delimitação
do estudo a ser desenvolvido, definição dos sujeitos, os critérios
para seleção da amostra, os procedimentos adotados para coleta
de dados, elaboração do instrumento de coleta de dados, descrição
da técnica do incidente crítico, o questionário, além
da crítica e apuração dos dados.
2.1 Perguntas da Pesquisa
As perguntas norteadoras desta pesquisa foram:
Quais são as formas de atualização utilizadas pelos
usuários de normas técnicas?
- 49 -
Que tipo de normas técnicas são procuradas pelas diferentes
categorias de engenheiros?
Quais os motivos de utilização de normas técnicas? Onde
e como são localizadas as normas técnicas? Qual o tempo gasto
em obter normas técnicas?
Que motivos provocam a desistência na busca de normas técnicas?
Quais as barreiras idiomáticas existentes entre as categorias de usuários
e as normas técnicas?
2.2 Caracterização da pesquisa
Pesquisa exploratória, análise fundamentalmente, de natureza
qualitativa, optou-se pelo método estudo de caso, determinada categoria
de usuários de normas técnicas, uma vez que somente usuários
de determinada empresa foram objeto de estudo e de observação.
- 50 -
2.3 Limitações da pesquisa
A pesquisa apresenta algumas limitações, em função
do método de investigação utilizado.
0 estudo de caso limita a generalização das conclusões,
uma vez que a unidade escolhida para descrição e análise
pode ser diferente das demais de sua mesma espécie.
As técnicas para obtenção dos dados, questionários
e análise documental também são restritivas. Sendo os
dados de natureza perceptiva, a observação com anotações
pode apresentar dificuldades para compreensão dos fatos em estudo
pelo pesquisador. Igualmente a entrevista pode conter distorções
processadas em conseqüência de entendimentos diferenciados entre
o entrevistador e o entrevistado. O questionário, por sua vez, pode
ser fator limitante, ao abordar alguns aspectos do assunto em detrimento
de outros.
0 período da pesquisa, março a setembro de 1992, limita o enfoque
longitudinal. O número de sujeitos que compõem a amostra intencional
é outro ponto a ser mencionado como limitante desta pesquisa, devido
a natureza da própria pesquisa.
- 51 -
2.4 Caracterização da divisão de documentação
0 presente estudo realizado numa empresa onde o caráter sigiloso foi
mantido no que diz respeito a identificação; no entanto a mesma
permitiu a utilização dos dados coletados e sua análise.
A seguir são apresentadas as características da Divisão
de Documentação (unidade de informação) possibilitando
a contextualização de sua estrutura.
As atividades da empresa estão concentradas no setor energético,
localizado no sul do Brasil. Com seu quadro de pessoal composto por mais
de 4000 funcionários.
0 quadro de pessoal é encarregado de estudar, projetar, construir
e operar usinas geradoras de energia elétrica, de interesse supra-estadual
e sistemas de transmissão em alta e extra-alta tensão, que
visem a integração de sistemas regionais de modo a permitir
o intercâmbio de energia elétrica entre as várias regiões
do Brasil, em quantidades requeridas e condições confiáveis,
bem como participar de pesquisas de interesse do setor energético
realizando estudos de aproveitamento múltiplo.
A empresa tem por finalidade contribuir para a formação de
pessoal técnico e preparação de mão-de-obra qualificada;
prestar serviços de apoio técnico, operacional e administrativo
às empresas concessionárias do serviço público
de energia; colaborar nos programas relacionados com a promoção
e incentivo da indústria de materiais e equipamentos destinados ao
setor; e,
- 52 -
colaborar para a preservação do meio ambiente e de suas atividades.
A Divisão de Documentação tem como objetivo principal
fornecer apoio bibliográfico aos funcionários da empresa, possibilita
também aos estudantes universitários e pesquisadores credenciados
o acesso as informações.
0 quadro de pessoal da Divisão, é composto por 35 profissionais
de diversas áreas do conhecimento técnico e científico,
tais como: analistas de sistemas, bibliotecários, pedagogos, tradutores,
auxiliares administrativos e de documentação, que atuam nos
quatro setores: atendimento, aquisição, processamento técnico
e microfilmagem.
Quatro profissionais da informação estão diretamente
envolvidos com a coleção de normas técnicas: dois bibliotecários,
uma tradutora inglês/português-português/inglês com
conhecimento em alemão e documentação técnica,
e um técnico em documentação.
O acervo de normas técnicas iniciou-se entre 1975 à 1977, com
predominância nas áreas de engenharias elétrica, eletrotécnica
e mecânica.
Atualmente o acervo conta com aproximadamente 8000 normas técnicas.
Deste acervo, 6704 normas técnicas são oriundas de grandes
entidades normalizadoras. A seguir verifica-se a distribuição
das normas segundo as entidades normalizadoras que mais se destacam no acervo
da Divisão de Documentação:
- 53
Entidade Normalizadora
|
Normas Técnicas
|
ABNT
|
2965
|
ANSI
|
533
|
ASTM
|
114
|
BSI
|
101
|
DIN
|
483
|
IBP
|
16
|
IEC
|
603
|
ISO
|
108
|
NEMA
|
128
|
PETROBRAS
|
1046
|
TELEBRAS
|
532
|
VDE
|
63
|